Fazer a diferença

Fazer a diferença

A viagem para o trabalho não é algo motivante. Seu João viajava uma hora para ir e mais uma hora para voltar de seu trabalho. Para passar o tempo, lia o jornal, conversava com os outros passageiros, fazia o que podia.
Quase todos os dias, seu João via uma mulher que embarcava um pouco depois dele. Ela sentava ao lado direito do ônibus, abria a janela, pegava um pequeno saco e começava a jogar algumas coisas para fora.
Curioso, logo seu João foi perguntar o que ela jogava pela janela.
- Sementes, disse ela.
Não era exatamente a resposta que esperava. Resolveu continuar a conversa.
- Sementes de quê?
- De flor, respondeu. Esta estrada é tão triste, tão vazia, não tem cores para nos alegrar, só vemos terra seca e sujeira. Gostaria de viajar vendo a beleza das flores ao longo do caminho. Seria muito melhor. Começaríamos o dia mais animados.
- Você acha mesmo que estas sementes vão nascer aí na beirda da estrada, só jogando-as daqui do ônibus? - perguntou seu João.
- Sim - disse. - Mesmo que muitas se percam e não brotem, algumas acabam caindo na terra e vão florescer.
- Mesmo assim, demoram para crescer, precisam de água, precisam ser cuidadas, disse seu João.
Mas a senhora respondeu calmamente:
- Eu faço a minha parte. Sempre há dias de chuva. Se eu não jogar as sementes, tenho certeza que nunca vão brotar. Mas se jogar, elas têm uma chance.
Virou-se para a janela e continuou jogando suas sementes.
O tempo passou, meses depois o homem reparou que o caminho estava bastante florido. A paisagem mudou muito. Estava bem mais alegre, colorida, perfumada... Lembrou então da senhora, mas não a via no ônibus há dias. Perguntou ao motorista. Ele respondeu que ela havia morrido há cerca de um mês.
Seu João começou a pensar, chocado com a notícia: as flores nasceram mesmo, mas de que adiantou o trabalho, a senhora nem pôde ver as flores crescidas. Enquanto pensava no trabalho "inútil" da senhora, viu uma criança sorrindo. Ela contemplava a beleza das flores, apontando entusiasmada para aquela maravilha ao lado da estrada. Só aí entendeu o efeito da ação da senhora.
No dia seguinte, pegou um pacotinho de sementes e começou a jogar pela janela do ônibus.

Para refletirmos...

Os frutos das boas ações não são colhidos de imediato. Podem demorar anos. Às vezes nem é quem plantou as sementes que colherá os frutos. Mas a sensação de fazer o bem, de levar a alegria a uma pessoa, compensa qualquer esforço. Mesmo que os resultados não sejam os esperados, ou não sejamos reconhecidos por nossa ação, devemos fazer a nossa parte, dar nossa contribuição. Precisamos que cada um faça a sua parte! Só assim veremos sorrisos no rosto das crianças... Se cada um esperar pelo outro, ninguém faz nada e o mundo (sociedade) continuará sempre o mesmo, seco, sem cor, sem brilho.

Quais as "sementes" que lanço pelo caminho da minha vida? Quais poderia lançar, mas não o faço? O que me impede? Qual o valor da solidariedade? Qual a contribuição que procuro dar a movimentos sociais, voluntariados, pastorais etc.? O que estou esperando para pegar um "saco de sementes" e sair jogando-as pela terra seca?