Reflexões sobre o SENTIDO do Natal - A Família, transformadora dos valores mercantis.

Reflexões sobre o SENTIDO  do Natal  - A Família, transformadora dos valores mercantis.

NATAL – Momento de celebrar o nascimento de Jesus Cristo e a vida em família

Neste mês tão sagrado à fé católica, fazemos referência à família em duas celebrações: no Natal (25 de dezembro) e na festa da Sagrada Família (31 de dezembro). Refletiremos os textos bíblicos deste momento especial para a família cristã e contaremos com depoimentos de pessoas que passaram por transformações em suas vidas neste ano de 2017 e vão desfrutar de um Natal com um gostinho especial.

 

Natal é época em que se volta o olhar para a Sagrada Família. Antes, José, Maria e o menino Jesus; hoje, uma multidão de pessoas de diferentes perfis compõem o núcleo familiar. Mas muito além destas diferenças, o importante é que o ambiente familiar seja sereno e feliz. O mais relevante é sentir que ali há consolo quando chegam as tempestades da vida, e aceitação quando outros viram o rosto.

As famílias não são perfeitas, bem se sabe disso, mas são os braços que estarão sempre prontos a abraçar quando for necessário. São um pouco do que cada um é. Pelos mesmos corpos percorre o mesmo sangue, e muitos carregam as mesmas manias. Cada qual com uma configuração, mas todos dando o seu melhor, ainda que seja insuficiente.

Na festa da Sagrada Família, a Palavra de Deus nos conduz ao núcleo familiar. A partir da contemplação da família de Jesus, somos convidados a uma séria reflexão sobre o atual momento da família cristã. Para um diálogo mais proveitoso com os textos bíblicos propostos nesta época do ano, convém acolher as questões que eles espontaneamente vão suscitando no tocante às relações recíprocas no ambiente familiar. Como estamos vivendo, por exemplo, na prática, o sagrado imperativo de honrar pai e mãe, e qual é o espaço reservado a Deus dentro de nossas casas? Com o olhar fixo nos textos bíblicos e atentos às armadilhas ideológicas que tentam desconstruir a família cristã em nossos dias, tentaremos responder tais questionamentos.

 

No livro do Eclesiástico (3, 3-7, 14-17), o autor apresenta a importância de valorizar a família. Assumindo o papel de pai, o mestre dirige importantes conselhos aos seus ouvintes. Dirige-se especialmente aos filhos, mostrando a importância de se colocar em prática o mandamento de “honrar pai e mãe” (Ex 20,12). É interessante notar a obsessiva insistência com a qual o texto sublinha a honra devida aos pais. Por cinco vezes, em poucos versículos, repete o verbo kabad (honrar) que, literalmente, significa “dar peso, glória, valor”. Tudo isso inclui também “amparar, sustentar, manter”, especialmente quando as forças já se foram.

(Mc 7,11). Tal insistência sobre esse preceito da Torah assume a função de fazer recordar que a missão do pai e da mãe é estritamente ligada à obra criadora de Deus. Assim, honrar os pais significa reconhecer e glorificar o próprio Deus criador. Disso se deduz, também, o imprescindível papel dos pais na educação dos filhos, algo que jamais pode ser delegado a terceiros.

Por trás desta exortação dirigida aos hebreus do início do século II a.C., é bem provável que se esconda a preocupação de preservar, ou mesmo de resgatar, valores e bons costumes da família hebraica, certamente afetados pelo processo de assimilação da cultura helênica que há décadas o povo da Terra Santa vinha experimentando. O autor, sob esse aspecto, ensina também a nós, hoje, que vivemos inteiramente inseridos num amplo e aparentemente irreversível processo de globalização. Como na Palestina do século II, também nos dias atuais somos chamados a reconhecer, a valorizar e a respeitar os valores de outras culturas e civilizações, porém sem cair na insensatez de menosprezar os valores fundamentais da civilização, da cultura e da religião que, durante séculos, forjaram a nossa identidade e nos ensinaram a amar a liberdade e a vida.

Neste nosso mundo globalizado, o núcleo familiar continua sendo o lugar decisivo onde se aprende a arte de bem viver, onde se ensina com o testemunho, e não está, ainda, tão contagiado por ideologias que, às vezes disfarçadas de direitos fundamentais, tentam minar a sacralidade da família. A resposta cristã a tudo o que ameaça destruir a família em nossos dias não pode ser outra que colocar em prática o conselho apresentado no texto: honra teu pai e tua mãe e terás vida longa.

 

"Tenham um Natal inesquecível e um abraço de nossa família da Comunidade Santa Catarina a vocês com muito carinho."