Sobre a festa do carnaval

Sobre a festa do carnaval

-  A promiscuidade é que é perturbadora, não o espetáculo - 

 Em Colossenses 3:17, lemos que os cristãos devem fazer tudo em nome de Jesus. A palavra que ressalta é a palavra tudo: tudo o que fizermos, devemos fazer porque representamos alguém, Jesus. Glorificamos a Deus com o que fazemos ou onde estamos? É para a Sua honra e glória? Sempre que a resposta for "sim", podemos fazer.

 

Muitos imaginam que o carnaval tem origem brasileira, mas a festa existe desde a Antiguidade. De fato, não se conhece ao certo a origem do carnaval, assim como a origem do nome. Historicamente é uma festa popular coletiva, transmitida através dos séculos como herança de antiquíssimas festas pagãs, realizadas entre 17 de dezembro (Saturnais – em honra a deus Saturno, na mitologia grega) e 15 de fevereiro (Lupercais – em honra a deus Pã, na Roma Antiga).

 

Dentre os pesquisadores, correntes diversas adotam prováveis origens diferentes. Há os que defendem que a comemoração do carnaval tem suas raízes em alguma festa primitiva, de caráter orgíaco (relativo a orgia), realizada em honra do ressurgimento da primavera. Em certos rituais agrários da Antiguidade (10.000 aC), homens e mulheres pintavam rostos e corpos, e entregavam-se a dança, a festa e a embriaguez. Outros autores acreditam que o carnaval tenha se iniciado nas alegres festas do Egito, com os festejos em honra à deusa Ísis (2000 aC).

 

O carnaval pagão começa quando Pisistrato oficializa o culto ao deus Dionísio na Grécia, no século VII aC. O primeiro foco de grande concentração carnavalesca de que se conhecem fontes seguras acontecia no Egito: era dança e cantoria em volta de fogueiras. Os foliões usavam máscaras e disfarces simbolizando a inexistência de classes sociais.

 

Depois, a tradição se espalhou por Grécia e Roma, entre os séculos VII e VI dC. Nessa época, sexo e embriaguez já se faziam presentes na festa. – Em seguida, o Carnaval chega em Veneza para, daí, se espalhar pelo mundo. Diz-se que foi lá que a festa tomou as características atuais: máscaras, fantasias, carros alegóricos, desfiles.

 

No início da Era Cristã, a Igreja deu uma nova orientação às festividades do carnaval. Ao contrário do que se diz, o catolicismo não “adotou” o carnaval, mas deu à festa popular um novo sentido, já que ela foi anexada ao calendário religioso antecedendo a Quaresma. A festa agora terminava em penitência, na dor de quarta-feira de Cinzas.

 

Como se vê, lamentavelmente, apesar de a Igreja ter sempre tentado dar um novo sentido à festa da carne, não obteve um grande sucesso nisso. Se formos comparar o que ocorre hoje com as festas que ocorriam na antiguidade pagã, não vemos grandes diferenças. Orgias, embriaguez, brigas, mortes… Excessos de todo tipo, na realidade, parecem ocorrer hoje em escala ainda maior.

 

Como cristãos, somos sempre chamados a santidade, e o sentido da palavra santo é “o outro”. Santo é aquilo/aquele que está separado do impuro ou do profano para o serviço de Deus. Não podemos, em situação alguma, fazer parte de algo que está em oposição a Deus.

 

 O carnaval quando O desfile das escolas de samba são um espetáculo monumental de arte, de beleza, de magia, de cultura e, principalmente, da história em que grandes artistas populares revelam-se em trabalhos de artesanato dignos de um Michelangelo, das músicas de grandes compositores populares.

 

Mas isso é o espetáculo… a promiscuidade é que é perturbadora. A intenção de criminar, destruir, de poluir as pessoas. O número de assaltos, de violências, de estupros, de agressividades naquela multidão que segue os cordões dos trios elétricos. (…) e o indivíduo compromete-se, ao invés de ser uma festa que renove as energias que prepara o indivíduo para poder enfrentar mais os anos da sua atividade aqueles que buscam a ardência do Carnaval.

 

O Carnaval tornou-se uma manifestação “thanatos” (o Deus da Morte, na mitologia Grega), uma manifestação de morte por que logo que ele passa fica aquela ilusão carnavalesca em que as pessoas transformam os outros dias num permanente Carnaval, como se a vida fosse constituída apenas de prazer.

 

E quando vem os efeitos danosos: a gravidez não desejada por descuido do anticonceptivo, ou por descuido da camisinha; quando vem as doenças degenerativas; quando vem o abandono, porque aquela ilusão passa. Quando vem o despertar da consciência: o arrependimento; o transtorno emocional; as ressacas do corpo, moral e do espírito que se utilizaram daqueles dias de insensatez para poder perturbar o equilíbrio psicofísico das vítimas.

 

“Não podeis beber ao mesmo tempo o Cálice do Senhor e o cálice dos demônios. Não podeis participar ao mesmo tempo da Mesa do Senhor e da mesa dos demônios. Ou queremos provocar a ira de Deus?” (1 Cor 10,19-22)

 

 

 Texto adaptado : https://www.franciscocatolico.com.br