Maria, o lindo sonho de Deus.

Maria, o lindo sonho de Deus.

Parte 3

Nossa Senhora e o fogo

 

E nas várias ocasiões em que a Palavra de Deus usa o fogo, podemos já ver Maria. Como não veríamos Maria grávida na imagem da sarça ardente, cheia de fogo, que queima sem consumir? Como não poderíamos ver em Maria grávida, o brilho deste Deus que é o “Eu Sou”, o “Deus Iahweh”? Quando Jesus foi encarnado, no seio de Maria, a chama viva do amor de Deus passou a viver no seio dela. E Nossa Senhora, com toda a certeza, brilhava, queimava de amor.

 

Como não veríamos Nossa Senhora na coluna de fogo que guiava o povo de Israel nas noites no deserto? Essa que é aurora do novo sol, é coluna de fogo que vai conduzindo, no deserto, o povo de Deus. De dia, eles viam a nuvem; à noite, viam a coluna de fogo. Como posso olhar para Maria e não ver dentro dela o incêndio de amor causado pela presença de Deus na sua alma, no seu corpo, na sua feminilidade, no seu serviço e nos seus atos de amor? De maneira especial, como não ver a coluna de fogo em Maria, de pé, aos pés da cruz? É a coluna que indica: “Eis o salvador, eis o caminho”. Do mesmo modo que a coluna foi guiando o povo através do deserto, nas noites escuras e frias do deserto – onde a coluna de fogo andava, também andava o povo -, também Maria, de pé aos pés de Jesus que agoniza, estica-se e se torna, então, a consoladora, o amor que se dá, o amor que pensa mais na dor do outro que na sua dor.

 

Também temos de ver o mistério de Nossa Senhora no carro de fogo de Ezequiel. Aquele carro que Ezequiel nunca conseguiu descrever de maneira física, mas como um mistério de amor, de entrega e de salvação.

 

Como nós não veríamos Nossa Senhora como a mulher louvor, na fornalha ardente? Essa fornalha que arde sem queimar e enche de dança os três jovens e o anjo. Quando olhamos para o Magnificat, com o coração, com o corpo, com a alma em chamas de amor e de gratidão, Nossa Senhora também dança, glorifica, canta os louvores de Deus, ardendo sem se queimar.

 

Como não veríamos Nossa Senhora como a “mulher-oração” diante do fogo que queimava no Templo, diante do santo dos santos, o fogo perpétuo?

 

Nossa Senhora é também a mulher acolhida no fogo do lar. Nossa Senhora é a mulher oração, é a mulher aurora, é a mulher louvor, é a mulher com poder de intercessão, a mulher aos pés da Cruz e é também a mulher acolhimento, aquela que acolhe no fogo do lar. No lar de Nazaré, sempre havia fogo, porque sempre chegava alguém – um parente, um amigo – então, sempre havia pão quente. Era, portanto, uma casa quente, uma casa pronta para servir. Como o lar de Abraão e Sara, quando fizeram pão para os anjos; como o de Marta e Maria, que acolhiam Jesus com dois fogos diferentes, mas ambos muito eficazes: Marta com o fogo do fogão e Maria com o fogo do coração.

 

Há uma passagem de Baruc 3 que diz assim: “Brilham em seus postos as estrelas e se alegram; e as chama, e respondem: Aqui estamos. E jubilosas refulgem para o seu criador”. Como vocês sabem, a estrela também é fogo e é impossível não vermos Maria nas estrelas do céu, às quais o Senhor sustenta e para as quais o Senhor olha e chama, e elas, felizes, refulgem para o seu criador dizendo, cada uma: “Eis-me aqui”. É Nossa Senhora a “mulher-adoração”, que brilha para o seu Criador sem esperar recompensa; a “mulher-gratuidade”, que se dá sem ficar pedindo, mas brilhando, amando, dando…

 

Como não veríamos Nossa Senhora no êxtase da mulher esposa do Espírito, quando são derramadas as línguas de fogo, quando o fogo que brilhava dentro dela brilhou também fora?

 

Como não veríamos nos olhos de Nossa Senhora assunta ao céu o brilho do Cordeiro, que ilumina o céu, que não precisa mais de luz, porque o Cordeiro é a própria luz?

 

Como poderíamos deixar de vê-la em cada homem e em cada mulher que se enche de luz quando entra em contato com Cristo?

 

Como não ver, finalmente, Nossa Senhora na dignidade de cada mulher? Aqui cito João Paulo II: “Cada mulher, cuja extraordinária dignidade é manifestada na plenitude dos tempos, em Maria, elevada de forma sobrenatural à união com Deus, pela união entre mãe e filho que só a mulher tem como viver”.