Parábolas

Parábolas

13. O pacote de bolachas

Aeroporto internacional. Sal de embarque. Sentados lado a lado, um senhor e uma jovem executiva. A história aconteceu assim
Como deveria esperar muitas horas até seu embarque, a mulher resolveu comprar um livro para passar o tempo. Aproveitou também para comprar um pacote de bolachas. Procurou um bom lugar para sentar e poder ler tranquilamente. Ao seu lado sentou um senhor de meia-idade que logo começou a ler uma revista.
A mulher começou então a comer as bolachas, deixando o pacote sobre o banco vazio entre os dois. Quando pegou a primeira bolacha, o homem também pegou uma.
Ela ficou está tica. Achou um desaforo, pensou até em brigar com o homem, ma resolveu relevar o fato em sinal de pacifismo. Não queria alterar seu estado de ânimo.
A cada bolacha que pegava, o homem também pegava uma. Ele ainda olhava-a e sorria. Era uma provocação, pensou. Sua ira aumentava, sua cara não negava, mas mesmo assim resistiu e não brigou com o homem. Deu alguns sinais de insatisfação, mas o homem continou.
A cada nova bolacha, ficava indignada. Enfim, sobrou apenas uma bolacha. "- Agora quero ver o que este debochado vai fazer" - pensou. Ele então pegou a bolacha, partiu-a ao meio, comendo metade e deixando a outra metade.
Aquilo foi a gota d'água. Pensou em xingar o senhor, mas foi educada. Pegou suas coisas e foi embora. A caminho do embarque começou a refletir sobre a sua postura íntegra, equilibrada, boa. Poderia ter discutido, mas preferiu não se exaltar, como uma verdadeira dama. Sentiu-se orgulhosa de sua atitude.
Já dentro do avião,s entada em sua poltrona, abriu a bolsa para pegar novamente o livro e continuar a leitura. Ao abrir o zíper ficou espantada. Seu pacote de bolacha estava lá dentro, intacto. Não era possível! Começou a pensar e então lembrou que não havia tirado o pacote da bolsa.
Um pouco confusa, mas mais ainda envergonhada, constatou que as bolachas que comeu no saguão do aeroporto não eram as suas, mas do homem ao seu lado. Sentiu uma sensação péssima apertando seu coração. Havia pensado tantas coisas do homem, quase brigou com ele, e na verdade ele é que foi generoso, extremamente bondoso e atencioso, divindindo seu pacote sem reclamar. Partilhou até sua última bolacha. Ficou triste por não poder se desculpar.
 

Para refletir

Nem sempre as situações são como pensamos. A visão que temos pode ser parcial ou até mesmo completamente errada. Por isso é importante não se fechar no seu mundo, mas se abrir ao outro, às ideias novas, aos conselhos dos amigos e familiares. Sempre há uma nova visão que pode nos ajudar a evitar problemas futuros. Do mesmo modo ocorre com as pessoas. Às vezes criamos um conceito sobre alguém que não corresponde à sua real personalidade. Brigamos, evitamos essa pessoa sem nem conhecê-la. Quando conhecermos suas virtudes, pode ser tarde para reparar algum erro ou juízo que fizemos. São João da Cruz diz que "uma forma de conhecermos a nós mesmos é como julgamos os outros".
 

Como formo meu conceito sobre as pessoas? Procuro conhecê-las, satisfaço-me com o que os outros falam ou, o que é pior, julgo pela aparência? Quais são os preconceitos que atrapalham meus relacionamentos e me impedem de conhecer mais pessoas? Como reagiria diante de uma situação como a descrita (pôr-se no lugar da mulher e no lugar do homem)? Como avalio o ato de generosidade e despojamento do homem?

Para trabalharmos em nossa vida...

Generosidade, partilha, troca, doação, preconceitos, julgamento (de você pelos outros e dos outros por você), sereneidade, autoconhecimento, paciência, aprendizagem, determinação, motivação, ânimo, maturidade, atitude, personalidade.