É tão bom arriscar-se pelos outros

É tão bom arriscar-se pelos outros

É TÃO BOM  ARRISCAR-SE PELOS OUTROS

(Carta de Madalena)

Madalena, 17 anos, era uma garota superficial, desinibida, sem grandes ideais. Mas houve um fato, aparentemente banal, que a modificou. E sua vida jovem ganhou novo sentido, outras dimensões. Um encontro de TLC, curso de Treinamento de Liderança Cristã. Vejam a beleza da carta que enviou a um padre amigo, revelando a riqueza de seu coração transformado.

Meu padre de estimação:
Abrir e fechar janelas é um gesto tão simples e rotineiro. Eu já o repetira milhares de vezes, mecanicamente.
De um dia para outro, o gesto de abrir e fechar janelas tomou nova importância para mim. Quando o transportei para dentro do meu cotidiano.
Abro agora as janelas da vida, deixando que entre o sol, as paisagens, o perfume dos campos, o azul do céu, o canto dos pássaros, o burburinho das ruas.
Abro agora as janelas da vida e sinto no rosto e na alma a chicotada dos ventos, das tempestades, dos problemas, das angústias, das injustiças e opressões. Os meus sofrimentos e os sofrimentos de meus irmãos.
Alegrias e dores fazem parte da minha vida, do meu crescimento, dos riscos que se corre, quando se compromete com Deus.
Sei agora quanto é belo e profundo arriscar-se para acolher o outro. E  nesta experiência descubro a beleza e a infinitude de amar radicalmente, como Cristo nos ama. Foi preciso fazer a experiência de correr o risco para encontrar realmente meus colegas de caminhada, descobrindo neles o que é essencial. Este essencial que se percebe apenas com os olhos do coração, com as antenas invisíveis da fé.
Aquele nosso Encontro de TLC pôs tantos amigos sinceros dentro da minha vida. Foram dias de paz, de prece, de fraternidade, de reconciliação. Inesquecíveis dias na minha agenda particular. Por isso mesmo é tão comovente a amizade que passei a sentir pelo senhor. Sua alegria, seu sorriso e afabilidade fizeram-me um bem imenso. Através do senhor, senti Cristo tão perto de mim. Eu jamais o sentira tão amigo, tão próximo, tão Pai. Obrigado, padre.
Em nosso encontros de fim de semana, quando o grupo jovem se reúne aqui na cidade, falamos muito no senhor. E sentimos sua presença, quando rezamos, quando vivemos a Eucaristia e planejamos nossas atividades. Vencendo a barreira das distâncias, dialogamos espiritualmente com o senhor. Curtindo saudade? Não. Sentimos sua presença ao nosso lado. A saudade não existe entre os que vivem a presença viva de Cristo no outro e dentro de si mesmo.
É lugar-comum, mas não custa repetir: nós, jovens, acreditamos entusiasticamente nas pessoas que nos trazem Cristo e repartem o Evangelho, apontando-nos o sentido verdadeiro da vida. Fica-se com vontade doida de servir, de ser melhor, mais pessoa, mais livre internamente, mais comprometida com a Igreja e com Deus.
Adeus, por hoje. Reze por mim, pelo grupo, enviando-nos aquela bênção de amor e simplicidade que tanto nos anima e conforta. Que o Pai p ilumine sempre e que o senhor continue distribuindo Cristo a tantas almas que anseiam por modificar um pouco as estruturas desumanas e viciadas da sociedade.

Fraternalmente, com amizade e gratidão...
Madalena
Brasília, 15-2-77.

“Senhor, penso nos dias de outrora,
medito em tudo o que fizeste,
reflito na obra das tuas mãos” (Sl 132)